Quem somos?
Desejamos boas-vindas ao Laboratório de Climatologia Aplicada (LabClima) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O LabClima integra a estrutura de laboratórios do Departamento de Geociências da UFSC e está vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) e em Desastres Naturais (PPGDN).
O LabClima desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão dedicadas à compreensão da dinâmica climática e de suas repercussões socioespaciais, considerando diferentes escalas temporais — mudança, variabilidade e ritmo — e espaciais — global, regional e local —, nos espaços urbanos e rurais.
Nossa história
A trajetória do LabClima está relacionada à consolidação dos estudos de climatologia geográfica na UFSC e, de forma mais ampla, em Santa Catarina e na Região Sul do Brasil. Sua origem remonta à atuação do Prof. Dr. Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro no Curso de Mestrado em Geografia, entre 1986 e 1990, período que constitui uma referência fundamental para a formação da primeira geração de pesquisadores vinculados ao Laboratório.
Prof. Dr. Carlos A. de F
Nesse contexto, a articulação entre professores e estudantes de graduação e pós-graduação contribuiu para constituir uma base coletiva de estudos e pesquisas sobre o clima, estabelecendo fundamentos que posteriormente dariam origem e identidade ao LabClima.
Consolidação e ampliação nos estudos geográficos do clima
A partir de 1993, o LabClima passou a ser coordenado pela Prof.ª Dr.ª Magaly Mendonça, cuja atuação foi fundamental para a estruturação do Laboratório e para a captação de equipamentos e recursos destinados às atividades de ensino e pesquisa.
Prof.ª Dr.ª Magaly Mendonça
Entre 1997 e 2002, sob a coordenação da Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia de Paula Herrmann, o LabClima ampliou sua atuação no campo da climatologia e dos desastres. Nesse período, foram publicados os primeiros Cadernos Geográficos dedicados ao tema, entre eles O Estudo Geográfico do Clima e Levantamento dos Desastres Naturais Causados pelas Adversidades Climáticas no Estado de Santa Catarina – Período de 1980 a 2000. Este último trabalho resultou de um amplo esforço coletivo de levantamento, organização e sistematização de dados da Diretoria Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina (DEDC/SC), envolvendo professores e estudantes da UFSC e da UDESC. Pela relevância desse trabalho, a professora Maria Lúcia recebeu homenagem do Governo do Estado de Santa Catarina.
Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia de Paula Herrmann
Em 2003, por iniciativa da Prof.ª Maria Lúcia de Paula Herrmann, foram aprovados e financiados pelo Governo do Estado os projetos Diagnóstico Ambiental das Áreas de Risco nos Municípios do Estado de Santa Catarina Afetados pelas Adversidades Climáticas e Plano de Prevenção e Controle de Desastres Naturais nos Municípios do Estado de Santa Catarina Afetados pelas Adversidades Climáticas. Esses projetos contribuíram para o fortalecimento da infraestrutura do LabClima, com a aquisição de equipamentos de informática e sensoriamento remoto e a ampliação da participação de pesquisadores e estagiários. Nesse contexto, o Laboratório também foi transferido para uma sala mais ampla, no Bloco D, sala 202, destinada aos laboratórios e núcleos de pesquisa do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH).
Durante o desenvolvimento desses projetos foi criado o Grupo de Estudos em Desastres Naturais (GEDN), posteriormente cadastrado no CNPq, ampliando a atuação do grupo na interface entre climatologia, riscos e desastres. Em 2004, por iniciativa do grupo, foi realizado o I Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais (I SIBRADEN). Essa trajetória também resultou na publicação do Atlas de Desastres Naturais de Santa Catarina, organizado por HERRMANN (2007), do livro Prevenção de Desastres Naturais – Conceitos Básicos, de KOBIYAMA, MENDONÇA et al. (2006), além de diversos trabalhos publicados em eventos científicos e periódicos.
A partir de 2003, sob nova coordenação da Prof.ª Dr.ª Magaly Mendonça, o LabClima consolidou atividades articuladas de ensino, pesquisa e extensão, especialmente vinculadas às disciplinas de graduação. Esse movimento ampliou a participação de estudantes em pesquisas e diversificou as temáticas investigadas, incorporando estudos sobre variabilidade climática, clima urbano, clima e saúde e desastres socionaturais.


Nesse período, o LabClima fortaleceu sua inserção nacional, especialmente junto à Associação Brasileira de Climatologia (ABClima), e ampliou suas relações internacionais por meio de parcerias com pesquisadores e instituições da América Latina, incluindo a Red Latinoamericana de Metanálisis Científico de los Desastres Socionaturales (MECIDES). Em 2013, a rede realizou na UFSC, em Florianópolis, o I Seminário Internacional de Investigações sobre Vulnerabilidade dos Desastres Socionaturais, fortalecendo a atuação do Laboratório nas discussões sobre vulnerabilidade e desastres. Esse período pode ser compreendido como uma segunda geração na trajetória do LabClima.


Continuidade e legado do trabalho
Em 2016, diante do agravamento do estado de saúde da Prof.ª Dr.ª Magaly Mendonça e, posteriormente, de seu falecimento, em 5 de novembro daquele ano, a coordenação do LabClima passou ao Prof. Dr. Alberto Elvino Franke, que esteve à frente do Laboratório até 2018.

Prof. Dr. Alberto Elvino Franke

Essa etapa foi marcada pela continuidade das pesquisas desenvolvidas anteriormente e pela ampliação dos estudos sobre variabilidade climática, extremos atmosféricos, precipitação, ondas de frio, geadas, estiagens e desastres, além do fortalecimento da formação de estudantes de graduação e pós-graduação.
A internacionalização também ganhou destaque, com a realização de períodos de mobilidade acadêmica de integrantes do Laboratório em instituições estrangeiras, incluindo a Universidade do Porto, em Portugal, e a Universidad de la República, no Uruguai. Paralelamente, foram fortalecidas iniciativas de divulgação e formação científica, como os Ciclos de Palestras em Climatologia, que reuniram pesquisadores de diferentes instituições para discutir temas relacionados à dinâmica climática, variabilidade, mudanças climáticas e sensoriamento remoto.

Prof. Dr. Alberto Elvino Franke, com Maikon dos Passos e Rafael Silveira.

Em 2018, o LabClima promoveu o simpósio “Impactos dos cenários futuros de mudanças climáticas na agropecuária e na saúde pública catarinense”, em parceria com a FUNDACENTRO. O evento reuniu pesquisadores, representantes do poder público, setor produtivo e órgãos de saúde para discutir os impactos das mudanças climáticas em Santa Catarina e estratégias de preparação e enfrentamento.

Mesa de abertura do simpósio.
A memória de Magaly Mendonça permaneceu como elemento fundamental dessa trajetória. Em 2017, o LabClima, em parceria com o LABEUR, participou da organização e do lançamento do Cadernos Geográficos nº 36 – “Investigações climáticas em eventos extremos: análises socionaturais – Homenagem à Prof.ª Dr.ª Magaly Mendonça”, reunindo depoimentos, memórias e contribuições científicas de colegas e orientandos.


A gestão de Alberto E. Franke constituiu, assim, uma etapa de transição, continuidade e consolidação, preservando o legado construído pelas gerações anteriores e ampliando a atuação do LabClima em climatologia, extremos climáticos, desastres, mudanças climáticas, formação de recursos humanos e cooperação científica nacional e internacional.

Expansão e atuação atual
A partir de 2019, a coordenação do LabClima passou a ser exercida pelo Prof. Dr. Lindberg Nascimento Júnior. Essa nova etapa deu continuidade à trajetória construída pelas gerações anteriores e, simultaneamente, ampliou as frentes de pesquisa, formação e inserção institucional do Laboratório.
Mantendo a tradição da climatologia geográfica desenvolvida na UFSC, o LabClima passou a incorporar com maior ênfase questões relacionadas às risco climático, vulnerabilidade socioespacial, desastres e justiça ambiental e climática. Essa ampliação contribuiu para fortalecer as perspectivas da Geografia Física Crítica, Geografia do Clima e Geografia Negras, compreendendo o clima não apenas como fenômeno físico, mas como processo cujas manifestações e impactos são produzidos e distribuídos de forma desigual no território.





As pesquisas também passaram a mobilizar de forma crescente geotecnologias, sensoriamento remoto, sistemas de informações geográficas, bases de dados climáticos, técnicas estatísticas e ferramentas de modelagem, ampliando a capacidade de produzir indicadores, cartografias e análises multiescalares sobre a dinâmica climática e seus impactos.
Entre as principais frentes de investigação destacam-se estudos sobre clima urbano, risco térmico, extremos de precipitação, variabilidade e mudanças climáticas, vulnerabilidade socioambiental, riscos e desastres e adaptação climática, no mundo subtropical. Essas pesquisas têm articulado diferentes escalas e aproximado a produção científica das demandas de instituições públicas e da sociedade.
Nessa etapa, o LabClima também fortaleceu a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, envolvendo estudantes de graduação, iniciação científica, mestrado e doutorado e ampliando sua participação em redes, projetos e iniciativas de cooperação científica. O diálogo com órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações sociais passou a constituir uma dimensão importante da atuação do Laboratório, especialmente nos temas relacionados às mudanças climáticas, prevenção e gestão de riscos e desastres.
Essa trajetória representa, portanto, continuidade e ampliação de um legado construído ao longo de décadas. Das primeiras pesquisas em climatologia geográfica às investigações contemporâneas sobre mudanças climáticas, riscos, vulnerabilidades e justiça climática, o LabClima mantém como princípio a produção coletiva do conhecimento e a compreensão do clima em sua complexidade, articulando processos físicos, sociais e territoriais.
Mais do que substituir agendas anteriores, cada geração do LabClima ampliou o campo de investigação e formação construído pelas anteriores. É nessa perspectiva de memória, continuidade, renovação e compromisso com a produção científica socialmente relevante que o Laboratório segue construindo sua trajetória.